O que me fez cursar Jornalismo? Não sei até hoje. Mas sei, que quando chegou o momento do vestibular, tive um surto de nostalgia misturada com loucura. Na mesma época estava com um pé na faculdade de música. Ela sempre me fascinou, mas de qualquer forma, hoje estaria percorrendo os corredores da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo (UPF).
Com o tempo, fui seduzida pelo cheiro de café forte, pelos laboratórios de fotografia e vídeo, e que mal convém falar, pelas pessoas de diferentes estilos que se instalavam naquelas escadarias cheias de história para contar.
Hoje, ainda tento descobrir o que me motivou a tomar esta decisão. A verdade é que tive um surto de homem aranha. Quem a essa altura do campeonato, se arriscaria, passar domingos e feriados cobrindo acidentes de trânsito, madrugando na redação? Existe duas versões: a versão do jornalista que ama sua profissão ama café, é um alcoólatra consolidado. E sua vida é a rua, a redação do jornal, o bar e a máquina fotográfica. A outra versão, não deve ser comentada porquê é aquela mais realista. E como todo jornalista, a realidade não é a melhor aliada nesta hora.
Certa leitura que fiz uma vez, me relembra claramente da trágica idéia de um escritor sobre o jornalista. Segundo ele, não terás vida pessoal, familiar ou sentimental, nem feriados e fins de semana. Sem contar que ganhará muito pouco, não terás promoção, nem perspectiva de melhoria. Terás pesadelos com horários de fechamento, palavras escritas erradas, e olheiras e mau humor serão teu troféu de guerra.
Aí está a diferença entre as rotinas na FAC e a futura rotina de trabalho. A verdade é que a crença que se criou em torno do jornalismo, perdurou. Se fosse tudo isso mesmo, não existiria atuantes nessa área, existiria apenas internet e fofoqueiros de plantão, isto bastaria para mover as informações na sociedade. O que se faz com amor, não se desfaz com esta lenda. Tudo que aqueles corredores fizeram foi fortalecer meu desejo de escrever. Escrever sobre o mundo, sobre as mentiras que sustentam a humanidade.
Quando era mais nova, sentia necessidade apenas, de saber como fazer amizades e mante-las, como sustentar ideias sem me contradizer. Inocente queria saber como fazer para ter certezas, precisava urgentemente que me dissessem o que fazer com a parte de mim inaceitável pelo mundo.
Hoje, sem garras, ou teia, tenho o dever de enfrentar a rotina jornalística, e levar a sério, levando em consideração a ética e as diferentes formas de pensar; o que não são conquistadas entre aquelas paredes cheias de humor da faculdade. E mesmo assim a “lenda”, do velho escritor continua afirmando: “E mesmo assim, depois de tudo,haverá uma legião de focas querendo ocupar o seu lugar”.

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